Você pode sofrer de homofobia internalizada!

Felizmente temos testemunhado, nos últimos anos, progressos que desembocam em conquistas legais para os indivíduos com orientação homoafetiva. Já são diversas as leis que consagram direitos para a os parceiros do mesmo sexo e garantem a defesa contra a discriminação e a violência por orientação sexual. Obviamente, muito falta a ser conquistado, principalmente no campo do preconceito e do respeito as diferenças no campo da sociedade.

Contudo, não podemos deixar de registrar que existe um processo psicológico que provoca o fenômeno da homofobia internalizada. Não podemos esquecer que o gay (incluindo todas as suas formas e diversidades) foi criado e cresceu no seio de uma sociedade heteronormativa, ou seja, todas as manifestações de intolerância, preconceito, discriminação e falta de respeito com relação às homossexualidades foram testemunhadas por aquele desde a mais tenra idade. Os pais, primeiros objetos de amor, tendem a rejeitar a ideia de ter um filho gay. Os filhos são pensados e idealizados antes do nascimento, portanto, existem antes de nascer. Um projeto de vida, com toda a carga das expectativas, já os aguarda.

Uma sociedade heterocêntrica, marcada pela intolerância e forte tendência de tratar as homossexualidades com um desvio de conduta e uma anormalidade, costuma deixar marcas que ficam impregnadas no individuo. Estas marcas compõem o campo inconsciente da homofobia internalizada. Desta forma, as pessoas com orientação homoafetiva, em geral, se tornam adultos com esta inscrição, que justifica aquelas sensações de menos valia, de autopreconceito, de autorecriminação, de discriminação com relação a outros gays, de baixa autoestima e de desconforto e incompreensão com os seus próprios desejos.

Devemos lembrar que, por mais estranho, ter uma orientação homoafetiva significa mais do que ter relações sexuais com alguém do mesmo sexo. Orientar-se homoafetivamente está para além das praticas sexuais com um igual. Esta num patamar onde o individuo consegue viver sua orientação sexual sem culpas, sem medos e com a certeza de que não faz parte de um grupo que tem menor valor. Significa ter a convicção de que tem o direito de amar e ser amado conforme seu desejo, e que este não é uma abominação.

George Gouvea
Psicanalista
www.georgegouvea.com.br

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Olá a tod@s!

Hoje começamos uma caminhada juntos. Primeiramente quero agradecer ao Alexandre Jobim, que me fez o convite para me juntar a Net Gay.
Pretendo que este espaço se destine a discussões variadas, sempre tendo como objeto o caráter enigmatico do ser humano. Contudo, tendo em vista meu trabalho como ativista da luta contra a epidemida de Aids, há mais de 10 anos, não poderei deixar de tocar neste assunto tão importante. Penso, inicialmente, em postar todos o mês algum artigo ou texto diferente, tratando de assuntos variados. Obviamente, espero contar com a participação de vocês, leitores. Espero que vocês me inspirem e provoquem discussões.
Convido você a acessar minha página (www.georgegouvea.com.br) para me conhecer melhor. Assim posso pular a parte das apresentações!
Vou inaugurar este espaço com um pequeno artigo sobre o impacto que as pessoas podem sofrer ao receberem o diagnóstico positivo para o HIV (reagente).

Fiz o teste e fiquei sabendo. E agora?

Atualmente sabemos da importância do teste para o HIV. É consenso entre a comunidade médica que quanto mais cedo o indivíduo souber que é soropositivo, maiores serão as chances para o sucesso do tratamento e o controle da replicação do vírus no organismo. Evita-se, assim, o adoecimento e todas as complicações desta situação.

Contudo, ter o diagnóstico positivo para o HIV pode causar um impacto importante em grande parte das pessoas (que pode variar dependendo de vários fatores). Não é fácil saber-se portador de uma doença incurável, de difícil tratamento e que pode complicar as relações sociais.

Receber esse diagnóstico é um choque na vida do individuo, que pode modificar todo o seu cotidiano, fazendo com que símbolos e representações sejam mobilizados por essa nova realidade. Várias questões serão suscitadas e outras ressuscitadas: a lembrança da finitude, as relações sociais (trabalho, família, amigos etc.), o medo da estigmatização e do preconceito, a idéia da morte, dúvidas acerca da sexualidade, as relações afetivas, baixa autoestima, autoculpabilização, sentimento de menos valia, enfim, todo o conjunto de relações desse indivíduo com o seu “Eu” e o mundo a sua volta.

Dessa forma, entendo que o acolhimento e o aconselhamento especializado em HIV/AIDS é um importante instrumento que pode, de forma individual e personalizada, ajudar esses indivíduos a superar esse momento de dúvidas e, em alguns casos, de desespero. Através desse atendimento especializado, as pessoas podem refletir melhor sobre essas questões, obtendo, como resultado prático, um melhor gerenciamento de todas as incertezas e aflições que possam estar dominando-as.

Tratar dos diversos aspectos ligados à Aids, como o uso dos antirretrovirais, os exames de controle necessários, efeitos colaterais, adesão ao tratamento, prevenção secundária e o autocuidado, entre outros, são fundamentais para aquele que pretende superar e vencer esse desafio, transformando a sorologia positiva em uma circunstância possível de lidar, recuperando ao autoestima e a vontade de viver.

George Gouvêa
Psicanalista

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